Já estou bem irritado com toda essa estória de primeiro mundo versus terceiro mundo, países desenvolvidos versus países em desenvolvimento… Seja lá qual rótulo eles tenham!
Hoje, na aula de inglês, foi o fim da picada.. Discutindo os 50 anos da União Européia, tive que ouvir uma estudante da Lithuania abrir a boca. (Lithuania?!?! tem gente que nem sabe onde isso fica! Mas sim, fica na Europa.. Pertence à UE!!).. Pois bem.. A garota me abre a boca pra dizer que as pessoas do terceiro mundo — América Latina, África, Índia, China.. — deveriam vir à Europa somente pra visitar, e não pra ficar. Que os pobres deveriam vir, tirar fotos, mas permanecer no seu lugar de origem…
Meu sangue sobe, mas fico sóbrio. O pior nem foi o que ela falou, mas como ela falou.. Na hora pensei: “O que você está fazendo aqui então? Estudando em outras terras?? Por que não fica em seu país???”
Eu, como único não-europeu da turma, tive que abrir a boca também. Falei por uns 10 minutos, mandando indiretas.. Resumindo, disse que toda diversidade do Brasil nos fez o país que somos; que a Europa está morrendo com a diminuição da natalidade; que, apesar de tantos problemas, somos uma nação feliz.
Mas o melhor foi dizer, com a boca cheia: “Somos um país em ascenção, temos muitos, muitos problemas. Aqui na Europa, todos tem tudo: saúde pública, educação de primeira, cultura de milênios, diversidade de cultura. Mas os europeus não têm que lutar por nada, está tudo pronto. Os europeus são tristes! Nós, brasileiros, lutamos para ter uma vida digna, trabalhar suado, batalhamos pra estudar, temos que enfrentar muita coisa, e mesmo assim somos muito, muito mais felizes!“
Silêncio. O professor pede pra alguém apresentar uma resposta. E só ouço uma coisa, vinda do italiano ao meu lado, com o rosto sério: “É verdade..”