Archive for janeiro \29\UTC 2008

Desastre

janeiro 29, 2008

Uma breve relação do que me ajudou a fazer uma das piores apresentações da minha vida. Talvez a pior.

Enquanto espero ônibus de 20h0, faço uma análise da minha apresentação no curso de Desenvolvimento Rigoroso de Software* sobre Lógica para Funções Parciais*. (*tradução livre). Aqui, em um canto escondido, da Universidade Politécnica de Madrid.

1. Tempo de preparo. Não respondi nem li com atenção todos os emails que recebi enquanto estava de férias no Brasil. O tempo passou no país tropical, eu perdi 4 semanas de aula. Os tópicos distribuídos em Dezembro, e eu escolhendo um apenas na semana passada, quando encontrei o professor. O que me fez escolher um tema difícil, teórico e ter pouco tempo de preparo.

2. A escolha do tema. Pelas as apresentações que vi, muitas delas eu dominava. Já dominei, cursei, estudei-as. Escolhi um tema teórico que fazia referências a outras lógicas das quais eu nunca ouvi falar. Além de suas comparações. A omissão de explicações e passos das provas.

3. Minha imagem. Talvez não seja tão importante. Mas sou o único que venho de all star pra aula. Todos estão de camisa social sob a blusa de lã, calça jeans ou de tecido, sapato social ou camurça. Casacos de inverno, tons escuros. Venho de jeans amassado, camiseta, camisa de algodão por cima, jaqueta marrom, branca e verde, de 10 euros. Será que isso muda algo? Até quando meu conhecimento pode ser afetado pelo que visto? Será que isso influencia em uma apresentação? Acho que sim.

4. Língua. pedi pra apresentar em inglês. Um professor disse: a matéria agora é oficialmente em espanhol, desde o dia em que os lituanos se foram. Assim estava sendo. Sim, entendo espanhol. Mas fazer uma apresentação assim.. Travei. Pirei. Havia palavras com a tradução errada nos slides. Eu não dominava a língua, e no meio da apresentação, passei a falar inglês, como me disse previamente o outro professor.

5. Fiz slides simples, deixei as fórmulas, as expressões pra escrever no quadro. Grande erro. O professor que me orientou nada disse. Convencionamos em fazer algo simples. Mas o outro pediu tudo. Enfim. Desastre.

Assim, fora outros pontos.. Garganta seca, nervoso, noites mal dormidas.. Não fui esculachado, mas todos perceberam que terei que fazer um artigo sobre o tema. Já que minha apresentação não foi nada convincente.

Mais um episódio pra aprender que nem tudo é lindo em estudar no exterior. Que eu aprenda, e faça melhor da próxima vez.

Sorte pra mim. 😦

update às 23h33: Lembrando que a internet ficou fora do ar na faculdade. Então os slides de conclusão que faltavan preencher ficaram em inglês, enquanto o resto estava em espanhol. Voltando pra casa, uma dor-de-barriga do cão, me deparo com o elevador quebrado. São quatro andares, segurando. Na ducha, um banho quente pra relaxar, e uma dica mortal: não tome banho ao mesmo tempo em que sua lavadora estiver on… Você pode ser surpreendido com uma ducha fria, repentina. E terá que esperar até a máquina encher…

Depois, fritando bifes para jantar na paz do lar, sou queimado com a gordura… Enfim… Ainda bem que faltam só 23 minutos (agora) pro dia acabar.

😉

Surpreendente que, se fosse há alguns meses, eu teria chegado em casa e desabado. Acho que a Europa tá me deixando forte. Até tenho rido. Enfim, devo estar aprendendo a lidar com esses dias-derrota.

L’ Auberge Espagnole

janeiro 27, 2008

Mesmo não indo viver em um apartamento espanhol como no filme, o texto abaixo, extraído de webcine.com.br conseguiu sintetizar um pouco o que é viver essa experiência Erasmus. Mesmo eu não sendo europeu pra ser um Erasmus, sou Erasmus Mundus.

😉

l’Aubergue Espagnole

Tendo como cenário Barcelona, uma das cidades mais dinâmicas da Europa, Albergue Espanhol acompanha o destino do estudante de economia Xavier (ROMAIN DURIS), de 25 anos, que viaja através de num programa de intercâmbio popular na Europa, o “Erasmus”, que recebeu este nome em homenagem ao pensador holandês da Renascença Erasmo de Roterdã.

Xavier chega à Espanha totalmente despreparado – sem saber falar espanhol e catalão, triste em deixar sua namorada para trás, confuso sobre quem é ou que laços pode criar nessa cidade estrangeira. Procurando um lugar para ficar, ele acaba encontrando um casal francês recém-casado, um médico e sua solitária esposa, Anne Sophie, que lhe oferecem o sofá. Depois, encontra um lugar definitivo: um apartamento com sete estudantes de nacionalidades tão variadas quanto suas personalidades e sexualidade. Segundo Xavier, a multiplicidade de línguas faz lembrar o caos que existe em sua cabeça.

O apartamento fica conhecido como Albergue Espanhol, literalmente, “o albergue espanhol”, que na gíria francesa significa um lugar onde as culturas se misturam como num caldeirão, onde não há regras e tudo pode acontecer. De fato, o apartamento lotado logo se torna cenário de confusões cômicas à medida que os estudantes de diferentes culturas experimentam o amor e diferentes maneiras de ver a vida, tentando imaginar como será o futuro.

Xavier se vê envolvido numa teia de mulheres: a namorada francesa Martine (AUDREY TAUTOU), que parece distante mesmo tendo vindo visitá-lo; sua melhor amiga no albergue e instrutora sexual, a belga Isabelle (CÉCILE DE FRANCE), que gostaria que Xavier fosse mulher; e a reprimida Anne Sophie (JUDITH GODRÈCHE), por quem Xavier sente um afeto que acaba desembocando num caso proibido.

Mesmo com corações partidos e olhos sendo abertos de formas inesperadas, e mesmo com o tumulto e a confusão reinando no apartamento, surge uma espécie de unidade a partir dos sonhos que seus habitantes têm em comum. Surge também a certeza que nenhum deles será igual depois das experiências que viveram no Albergue Espanhol.

lar, novo lar.

janeiro 26, 2008

Finalmente tomei coragem e, repentinamente, vou mudar de apartamento. Audrey, Manuel e eu. Francesa, italiano e brasileiro. Dividindo um apartamento menor, mas só nosso. Perto do maior parque/reserva da cidade de Madrid. Na linha do metro que nos une à faculdade e ao centro.

Um pouquinho mais caro, mas perfeito!

😉

[Agora só falta achar alguém pra ficar no meu lugar (pra pagar o aluguel de fevereiro), avisar aos meus compis de piso que eu vou vazar e alguém vem em meu lugar!]

rapidinhas

janeiro 26, 2008

Continuo buscando apartamento. Morar com a Audrey ou não? Perto do centro? Ou não? Piso de espanhóis ou estrangeiros? Até quanto posso pagar? Tenso..

Reparei como as espanholas têm aquele pintinha em cima do lábio. Incrível. Alguns a chamam de pinta de puta. Mas acho que está nos genes das espanholas.. hehhehe

Pia pra limpar. Quarto pra varrer. Sala pra organizar. Antes fosse só o mestrado.

Pois que tenho que ler 120 páginas em artigos, um livro, e preparar uma apresentação de 30 minutos. Em espanhol, como já disse.Advinha em que passo estou? Pois que ontem..

.. saímos pra comer crepes. Jantei em casa, pra economizar, e comi só a sobremesa. Crepe de frutos vermelhos, com creme e sorvete de baunilha. Bom demais. (Salvou a semana).

1/4 [2/4]

janeiro 24, 2008

— Quando pensa que vai morrer?

— Trinta anos.

— Aos trinta?

— Não. Daqui a trinta anos. Acho.

— E o que busca na vida? O que tem que fazer antes de morrer?

— Não sei.

— Tipo: casar, ter filhos, ser doutor, comprar um apartamento.

— Não sei. Viajar muito, talvez.

— Ah… E acredita em algo? Deus, Buda, alguma entidade superior?

— Sim, em Deus. Por que?

— Nada não..

— !!!

Esse foi o questionário das 2 da manha de hoje. Alejandro acordou, fez pipoca, e me perguntou isso. Pra mim, super estranho. Mais um motivo pra procurar um novo quarto em outro apartamento. E logo.

Na verdade, já busco um novo quarto. Na verdade, dois quartos. Assim mudo com uma amiga, Audrey, francesa. Segue difícil. Mas vamos encontrar.

Bang bang!

muy peor..

janeiro 23, 2008

Muito pior do que eu pensava. As quatro semanas de aula perdidas foram quatro semanas de festas, praia, amigos, família e feriados no Brasil.

Agora dou de cara com um muro a escalar. Só pra sentir o trabalho que será: tenho que fazer uma apresentação de 25 minutos. En español!..

Suerte!

chill?

janeiro 21, 2008

Ouvindo um CD chamado Chill Brazil, e eu, aqui, nem um pouco chill..

dan

foto do ano passado, cara de sério? olho inchado? rs.. 

Domingo a noite, creio que não seja uma boa hora para escrever num blog. Mas hoje eu preciso, como terapia. Sem desespero, não to nem um pouco mal.. Me alegra voltar a Madrid e poder tomar as rédeas da situação, me organizar.. Mas falta algo..

É a soma de todas as coisas que tenho que resolver que me fazem assim, pensativo e sem dormir. Começo pelo tempo que não escrevo aqui, pelas coisas que aconteceram que vejo que nunca vou escrever. Que perdem a importância, ou não, com o passar dos dias.

Minha viagem pela Europa ano passado. A vida em Madrid. A viagem pro Brasil, em Dezembro. O assalto à casa de Guarapari. O assalto e roubo do carro do meu pai. O casamento da minha irmã. Enfim. Se não escrevi até agora, creio que não escrevo mais.

Olhando pra frente, tento me organizar. É hora de terminar o semestre, e trabalhar, em dias, pelas quatro semanas de aula perdidas. [Não sobrou tempo, disposição nem conexão à internet para trabalhar desde o Brasil.]

São tese, projeto, trabalhos, programas, emprego, bolsas de estudo. É escolher um futuro: trabalhar na Europa ou no Brasil? Doutorado? Sim? Não? Onde?! É um apartamento sem forno, sem cama boa, sem mesa decente, com cadeiras rangendo, com um sofá aos pedaços. Distante do metro. É um apartamento barato — pros padrões de Madrid. Desconforto por um baixo preço.

Mas é uma vida na Europa. Com seus luxos de esquinas famosas, sangue derramado por essas muralhas, um café, um pôr-do-sol, um pic-nic. História e cultura grátis. Um parque em frente minha casa. Um quarto cheio e bagunçado, e uma cama vazia. Um coração cheio e bagunçado, e ao mesmo tempo vazio.

Cachoeira - fazenda

foto mais antiga ainda, que diz muito. principalmente sobre a queda de cabelo..

Sinto cheiro de euforia no ar. Esquecer do coração, por enquanto. Organizar a cama, o quarto, a vida, a faculdade. Depois o coração. Sempre depois. Como sempre.

[]’s, dan.