Archive for fevereiro \07\UTC 2008

pesadelo..

fevereiro 7, 2008

Enquanto me mudo de casa, e não instalam a internet, tenho passado minhas noites com meus novos compis de piso: Manuel e Audrey. No meio da loucura do fim de período, de tudo sujo e jogado em casa, de passar frio de noite… Tem sido engraçado e divertido essa troca de 3 pessoas totalmente diferentes dividindo chás enquanto estudam.. rs..

No trabalho, tem sido legal também. Já estamos quebrando o gelo. A primeira semana é foda.. Mas já tenho minha mesa grande, meu monitor grande, uma cadeira grande.. Já tenho meu cubículo.. hehehe Ai que medo de virar gente grande! hahaha

Fora isso, sonhei com toda minha família hoje. Muitos primos, tios, irmãos, pais. A formatura da minha irmã, em Alegre (??? Ela se formou em Vitória!), um café na varanda no fim da tarde, com todos. Olho para o céu: Que avião engraçado.. Era um carro em chamas, caindo do céu! (que sonho louco!) E se tornou um pesadelo com todos morrendo ensangüentados, carros explodindo meteóricos do céu.. Enfim. O pior é que demoro uns minutos pra voltar à realidade depois que acordo.. Ou horas..

Choque

fevereiro 4, 2008

Amanhã de noite me mudo pra Batán. Na verdade não sei o nome do bairro, mas todos dizem como sendo da estação de metro mais próxima. Então vou morar perto da linha 10, azul, estação Batán (mapa). Fica praticamente entre a universidade (UPM) e o centro de Madrid. Perfeito. Agora vou ter bares, vendas, padarias etc por perto. E principalmente, claro, metro. Vou deixar de pegar ônibus pra rodar por aí. Finalmente.

Casa de Campo
Casa de Campo, Madrid. Ao fundo, o centro de Madrid.

Ah.. E fica também perto da Casa de Campo (mapa), o maior parque de Madrid. (Lógico que o Parque del Retiro é mais famoso..) Mas Casa de Campo é muito grande, muuiito verde.

Acho que já disse com quem vou morar.. Enfim.. Voltando ao Choque, escrevi que me mudo amanhã pois, desde sexta-feira, estou alojado na casa de um amigo, próximo à estação Príncipe Pio, também na linha 10. Foi que, agora, voltando da faculdade, passei no shopping que aloja a estação, pra tirar dinheiro, comprar comida etc.

Quando acabo de entrar, vejo um mulher caindo, estatelada no chão. Parecia uma epilepsia. Tremia, contorcida, e sangrava pela boca. Possivelmente estava mordendo a língua. De longe, vi uma mulher largar as sacolas e tentar proteger a sua cabeça com o cachecol branco da mulher, já molhado de sangue. O incrível é que só esta mulher ajudava, e mais ninguém. Vi poucas pessoas parando, até pra ver. Em fração de segundos, quando cheguei pra ajudar, somente essa mulher ajudava. Uma outra chamava o socorro médico ao celular, e eu, segurando sua cabeça, perguntava em portuñol se alguém ali era médico ou enfermeiro.

Não tentei segurar sua língua, pois não tenho a mínima idéia — ou instrução — pra fazer isso. Mas incrível como ninguém mais sujou sua mão de sangue.

Logo que chegaram os seguranças, mandaram eu me afastar, e fui ao banheiro lavar as mãos. Depois que voltei das compras, e do caixa automático, a mulher já estava bem, visivelmente. Sentada, suja de sangue, e a mesma mulher ali, ajudando.

Incrível que o mesmo me passou na Itália, em Bolzano. Uma senhora, com seus 60 anos, tropeçou na calçada, caiu de testa no chão. Ninguém encostou nela. Eu abaixei, uma mão no sorvete, outra segurando a cabeça dela, sangrando. Outra vez, com meu vago italiano, pedi ajuda. Ao menos pro trouxa do homem, observando, parado, ao meu lado, que segurasse meu sorvete, pra que eu pudesse apoiar a cabeça dela.

Será que esse povo tem medo de sangue? De se contaminar? De fazer parte de um socorro a uma vítima? Fico imaginando essa cena no Brasil. Com todos gritando por ajuda, quase tampando a vítima com curiosidade mil.

Enfim, mais um choque de cultura.

Ventos de mudança

fevereiro 4, 2008

Apesar do vento frio, da chuva e das nuvens, o sol vem dar o ar da graça. Na meteorologia e nos meus dias. Dos grandes furacões que por aqui passaram nos últimos dias, ainda resta muita sujeira, poeira, desordem. Com o tempo se organiza, se limpa, se resolve.

Bola pra frente, nego duro. Como diz meu pai, que não sou pouca merda, sou muita merda. Se é que me entendem. rs..

Quando você acha que chegou no fundo do poço..

fevereiro 1, 2008

.. cuidado. Pode piorar. Pode ser mais fundo. Bem mais fundo.

Como aquela sensação de perda de gravidade. Quando pensa que a escada acabou, e tem mais um degrau. E sente aqueles segundos de queda, livre, por alguns milésimos de segundos. Sem sentido, sem apoio, sem base.

Desespero 2

Quando não se espera, no mar, uma onda. Que te acerta de lado, no ouvido, e te joga de ponta cabeça no fundo do mar. O gosto de sal na boca, areia nos olhos, no cabelo. A sensação de não ter sensação alguma, sem ter direção. Segundos eternos de confusão mental.

Sensação de desespero, de sufocamento, de aperto no peito. Um tremor, noites sem sono, pânico.

Espero poder sobreviver ao pesadelo negro, oleoso, pesado. Espero poder apagar alguns dias de Europa. Esquecer é uma dádiva.

Desespero
(Espero que o próximo post seja mais up..)

Posso estar errado, mas um dia vou lutar por minha vida simples. No campo, ilhado.