Choque

Amanhã de noite me mudo pra Batán. Na verdade não sei o nome do bairro, mas todos dizem como sendo da estação de metro mais próxima. Então vou morar perto da linha 10, azul, estação Batán (mapa). Fica praticamente entre a universidade (UPM) e o centro de Madrid. Perfeito. Agora vou ter bares, vendas, padarias etc por perto. E principalmente, claro, metro. Vou deixar de pegar ônibus pra rodar por aí. Finalmente.

Casa de Campo
Casa de Campo, Madrid. Ao fundo, o centro de Madrid.

Ah.. E fica também perto da Casa de Campo (mapa), o maior parque de Madrid. (Lógico que o Parque del Retiro é mais famoso..) Mas Casa de Campo é muito grande, muuiito verde.

Acho que já disse com quem vou morar.. Enfim.. Voltando ao Choque, escrevi que me mudo amanhã pois, desde sexta-feira, estou alojado na casa de um amigo, próximo à estação Príncipe Pio, também na linha 10. Foi que, agora, voltando da faculdade, passei no shopping que aloja a estação, pra tirar dinheiro, comprar comida etc.

Quando acabo de entrar, vejo um mulher caindo, estatelada no chão. Parecia uma epilepsia. Tremia, contorcida, e sangrava pela boca. Possivelmente estava mordendo a língua. De longe, vi uma mulher largar as sacolas e tentar proteger a sua cabeça com o cachecol branco da mulher, já molhado de sangue. O incrível é que só esta mulher ajudava, e mais ninguém. Vi poucas pessoas parando, até pra ver. Em fração de segundos, quando cheguei pra ajudar, somente essa mulher ajudava. Uma outra chamava o socorro médico ao celular, e eu, segurando sua cabeça, perguntava em portuñol se alguém ali era médico ou enfermeiro.

Não tentei segurar sua língua, pois não tenho a mínima idéia — ou instrução — pra fazer isso. Mas incrível como ninguém mais sujou sua mão de sangue.

Logo que chegaram os seguranças, mandaram eu me afastar, e fui ao banheiro lavar as mãos. Depois que voltei das compras, e do caixa automático, a mulher já estava bem, visivelmente. Sentada, suja de sangue, e a mesma mulher ali, ajudando.

Incrível que o mesmo me passou na Itália, em Bolzano. Uma senhora, com seus 60 anos, tropeçou na calçada, caiu de testa no chão. Ninguém encostou nela. Eu abaixei, uma mão no sorvete, outra segurando a cabeça dela, sangrando. Outra vez, com meu vago italiano, pedi ajuda. Ao menos pro trouxa do homem, observando, parado, ao meu lado, que segurasse meu sorvete, pra que eu pudesse apoiar a cabeça dela.

Será que esse povo tem medo de sangue? De se contaminar? De fazer parte de um socorro a uma vítima? Fico imaginando essa cena no Brasil. Com todos gritando por ajuda, quase tampando a vítima com curiosidade mil.

Enfim, mais um choque de cultura.

Uma resposta to “Choque”

  1. Frederico Franzosi Says:

    A cultura do “e daí”…
    Chego responsávelmente no meu horário. Cumprimento meus COLEGAS de trabalho com um bom dia. Se alguém espirra, que Deus o abençoe. Se alguém quer conversar alguma coisa, converso, mas de olho no relógio, porque meu tempo vale ouro. Se alguém sai tchau(bom fim de semana se for o caso). Se eu saio tchau(bom fim de semana se for o caso). Se eu deixo de aparecer por alguns dias, ou até uma semana, e daí. E no mais, e daí, cumpro minha função na sociedade. Tenho alguns amigos. De resto, e daí…

    Também sinto falta do coração brasileiro nesse povo…
    Com todas as loucuras que a gente sabe que tem…

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