Archive for the ‘desabafo’ Category

postludio

outubro 31, 2008

Aqui estamos, chegamos ao fim deste blog.

Foi bom compartir um pouco desses dois anos de vida na Europa. Uma fase incrível que não vou esquecer. Uma avalanche de novas sensaćões, sentimentos revirados, pontos revistados.

Sem muito o que dizer, muito do que será escrito aqui, a partir de agora, não será respondido. Tens meus contatos, meus emails e, talvez, números de telefone.

Talvez seria preciso um final lindo, um texto à altura, um poema. Mas são tempos de ponderaćão. E não deixa de ser belo, por não ter sido relatado bem.

Grande beijo,

Daniel.

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mais desespero

setembro 18, 2008

Desespero de tese não é nada perto de algumas coisas.

Passar horas, dias, semanas, meses tentando ajudar um amigo. Chamadas internacionais, emails longos, conversas por skype e msn.  E desespero é sentir impotente quando não se consegue evitar que esse amigo cometa suicídio.

Desespero ainda maior é ligar pra esse amigo nos seus momentos finais, ouvir “Adeus”, e não poder fazer mais nada. Tentar convencer mais uma vez, tentar uma chance mais uma vez, ter as últimas palavras de conforto.

Impotência, ansiedade, paranóia. E não ter o telefone de mais ninguém que possa intervir, enquanto se está há milhares de quilômetros dali.

Desespero é não ter notícias suas, é não saber se está bem.

Com isso, encontro forças de onde não as tenho. Consigo achar um irmão pela internet, o telefone da mãe em um e-mail antigo. E notícias perdidas pela família. Mal entendidos… Ainda ter dúvidas se foi encontrado com vida, se foi possível salvamento…

Ou não.

concep\’c\~ao

setembro 10, 2008

A gestacão tem sido difícil e o parto, doloroso, demorado. Medo, aflicão, insônia, saudade, pesadelos…

Mas já está concebida, e agora tem que nascer. E logo chegará o dia.

E descubro que meu blog é bem acessado por pessoas que buscam por “desespero”. Acho que tenho que descrever mais sobre a tese.

Saudades. BraSil, logo.

dead poet

agosto 11, 2008

“I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived” (Walden, 1854).

Sem tempo pra escrever aqui. Enfim, já escrevendo.

Atenção ao metro de Madrid!

julho 13, 2008

Parece tonto, mas ontem tive um ataque de aflição e pânico. E acho que escrever vai ajudar bastante.

Há tempos estou com o olhar aguçado sobre os ciganos nos metros e parques de Madrid. Perseguem-me. São ciganos espanhóis e principalmente do leste Europeu. São estafadores caloteiros, batedores de carteira, sagazes. Se vestem normais, como qualquer outro turista, nada muito destoante. Mas seu olhar denuncia.

Já levaram a carteira do Stam, a carteira da Alexis, a máquina digital da Mirjan, e quase que levam a máquina do Dil que, por sorte, vi a mão do cara dentro do bolso da sua jaqueta. Por um triz.

Habilidades mil para abrir zíperes de bolsas e jaquetas. Agem em grupos de três ou mais. Muitas mulheres, e até crianças. E têm o olhar mágico, esperto. Já percebi como escolhem as vítimas. E já fui cercado algumas vezes.

Quase sempre estão na linha 10, na conexão da linha do aeroporto de Barajas ( linha 8 ) com o centro de Madrid.

E ontem, não foi diferente. Como os vejo agir quase todos os dias que vou ao centro, ontem estavam perto de mim. Três delas. Ao verem o metro aproximar-se, tiram uma blusa da bolsa. A blusa que esconderá a mão em ação. E assim, ao abrir a porta do metro, já abriram a bolsa de uma mulher justo na minha frente. Com sorte, e sem perceber que a tenia, a mulher encontrou onde sentar, e assim a ação se torna mais difícil. Escolhem, então, outra vítima, depois de me analisarem por completo.

Na correria do metro, cheio de turistas com bolsas, maletas, perdidos entre mapas e endereços dos hotéis, todos tornam-se vítimas perfeitas.

Algumas paradas depois, e elas ainda circulando a nova vítima, o metro pára. Havia alguém tendo um ataque epilético na plataforma, e o metro fica aberto mais tempo que o normal. Todos colocam a atenção pra fora do metro, e as ciganas, têm mais chance.

Pausa. Tenho que falar da perseguição de gente tendo ataques ao meu lado. Uma mulher em um centro comercial, cai em convulsão, corta a cabeça e a língua, bem ao meu lado. Um senhor em Berlin, com algo que mais parecia uma hemorragia interna, vomitava víceras e sangue, há alguns dias. E agora esta mulher no metro.

Bem, eu também fixei meu olhar na convulsão alheia. E percebi que haviam ali muitos policiais, esperando por paramédicos. Num lance rápido, saí do metro, e avisei a um policial que haviam carteiristas no metro. Rapidamente alguns bateram suas mãos no metro para pará-lo, pois já saía. Logo descrevi como eram, e quando dei por mim, a mulher que tinha convulsão e todas as suas amigas ao seu lado, também eram ciganas.

Olhavam-me fixadamente. Algo como 30 segundos entre que os policiais revistavam o metro, pediam descrição e eu saindo correndo dali. Senti-me perseguido amis ainda. Lembrei-me de um caso de punhaladas no que presenciei no centro de Madrid. E me senti sozinho, indefeso, e perdido.

Tremendo muito, sentia as paredes do metro fechando. Nunca havia saído naquela estação antes. Perdido.

Assim que encontrei a saída, corri para um café. Sentei. Tomei um café com leite, uma água com gás e tentei pegar um metro. Mas não consegui. Peguei um taxi até o centro e, dali, fui pra casa de metro. Senão faliria. E, outra vez, mais ciganos. Um casal de velhos, e uma criança, vendendo, no metro, anéis e cordões de ouro, roubados.

Acho que nunca tive tão estranha sencação na minha vida. De ser perseguido, vigiado. Enfim, passou. Hoje, outro dia, não?

Espero.

la plage?

junho 18, 2008

Bem, quando quero comentar alguma notícia que leio durante o dia, tento comentar no site, quando permite. Nesse caso, comento aqui:

Glamour: de carro pela Côte D’Azur

Fala sério! É um stress total viajar de carro por Côte D’Azur. Ao menos foi o meu caso!

Os prećos de estacionamento, principalmente os privados, são um absurdo! Isso se conseguir uma vaga! Em St. Tropez, mesmo em Setembro, fim de estaćao, foi difícil conseguir uma. Se prepare para estacionar longe do centro e caminhar.. Glamour? Bye bye! hahaha!

Se viaja sem um GPS atualizado.. tsc tsc tsc.. Desista! 😛 Mesmo tendo tudo preparado, GPS atualizado, havia ruas que foram trocadas de sentido. Então os engarrafamentos à beira-mar podem transformar-se em labirintos. Não há como escapar.

Solućão? No nosso caso, acampar em uma praia, e relaxar. Deixa o povo dirigir, perder a praia de dentro do carro… 😛

Thesis

maio 30, 2008

thesis PhoneticPhoneticPhoneticPhoneticPhoneticPhoneticPhoneticPhoneticPhoneticPhonetic

noun [C] plural theses
1 a long piece of writing on a particular subject, especially one that is done for a higher college or university degree:
a doctoral thesis (= for a PhD)

Isso é, o Daniel aqui vai desaparecendo, com o passar dos dias, OK? Algo mais específico, mais notícias, saber como anda o estado criativo: me manda um email. É como uma carta pra Itália, nunca se sabe quando terá resposta. Nem mesmo saber se chegou.. Hehehe!

Bozner Bier

maio 12, 2008

Fora do contexto, o nome dos filmes do fim de semana. Lo que sé de Lola, The Kite Runner, Far from Heaven, REC e El Pasado. Assim descubro que filmes atuam diretamente sobre meu humor.

Voltando ao tema Bozer Bier, um comercial, um tanto tosco, da cervejaria de Bolzano, Itália. Sempre bebíamos alí, já que tinham descontos com a carteira de estudante da faculdade. (!)

Ahh.. mudando de assunto novamente! Amanhã faz uma semana que estamos sem gás! Isso significa banho na casa de amigos, comida de microondas e gente de mal humor. Eu, por exemplo. Hoje disse pra dueña que se não temos água quente amanhã, eu me mudo. (Pressão boba, já que não tenho pra onde ir! hahaha)

até!

diariamente

abril 22, 2008

Ok. De novo 2h30 da manhã e minha cabeça borbulhando, sem conseguir dormir. Então decidi criar o post-do-branquelo-doido e escrever ao léu.

Primeiro, borbulha ou bolha é umas das palavras que mais erro em espanhol, depois de errar. Uma borbulha é una… pausa, estoy mirando en wordreferrence.com … Não quero cometer um erro (un equívoco!). Na verdade, é burbuja. E erro, que pode ser error, é un equívoco. Mas fala-se equíboco. Como vaca = baca… por aí vai, esse v com som de b-suave… me mata… Ao menos já entendo melhor meus colegas de escritório. Todos espanhóis, quase todos galegos, e um que quase nunca entendo… Enfim. Ele pode mandar emails. E eu usar o corretor ortográfico. E mesmo assim causar gafes, como mudanza, que não significa mudar algo (no texto). O que fiz foi um cambio

Chega de aprender espanhol. De quinta a domingo aprticipo de uma feira de ciências da comunidade de Madrid. Estarei, junto com outros jovens pesquisadores, representando a parte Software do instituto de pesquisa para o qual trabalho. (Também tem nanotecnologia, biomedicina, agricultura, matemática etc). Explicat computadores fluídicos para crionças de 5 a 13 anos. Sorte. Mas vou me divertir. Amo feiras de ciência, e escrevi o material com muito carinho. 😛

Carinho, saudade e sorte. Esses dias, ultimas semanas, tenho tido tanta saudade que deu vontade de pegar um avião e, por uma semana, estar no Brasil. Tudo isso porque não sei o que fazer depois do master. Mil opções. Desde ir morar na fazenda por uns meses, até fazer PhD. Ou ir pra Índia, sumir no mapa, até trabalhar em Paris. Não sei.

Falta a tese. Reúno-me com dois professores essa semana para tratar o tema. Talvez algum sistema de provas de negação lógica. Não entendeu? Nem eu ainda. Não comecei… hehehe

Eita! Demorei 10 minutos pra lavar o rosto. A caldeira estragou sexta feira, e a dona do apartamento, que deveria consertá-lo, só vem com o técnico amanhã. Fim de semana tomei banho na casa dos amigos, hoje de manhã tomei banho de baldinho, improvisado com uma garrafa d’água cortada ao meio. Água fervente, e muita paciência. Eu espero que nada que desejei a Matilde aconteça. Seria muito sofrimento pra uma espanhola só.
Fiz bolo de banana hoje. Lembrei da minha mãe. E hoje de manhã, de tão puto com o banho, fui cortar o cabelo pra ficar feliz. Mandei fazer a barba com navalha, e lembrei do meu pai. Tá tenso. Meu amigo disse que sou rico, pra fazer a barba na barbearia. Sou louco, isso sim, porque aceitei pagar, e não saí correndo. Mas ficou ótimo! 🙂 Estou feliz com o resultado. (E, careca, pareço 5 anos mais velho).

O povo que mora aqui. O Manuel tomou banho no sábado, e não saiu de casa desde então, assim só precisa tomar banho amanhã de tarde, depois que o técnico vier. A Audrey tentou me explicar que vai tomar banho amanhã cedo. Esse banho diferente é algo como “se tem um lavabo, faz ali”. Tentei pensar, como lavar o suvaco,  o rosto e…  e as outras partes. Tentei não pensar nisso, e espero que ela não leia isso. Nem quem possa ler, envie a ela. (Você sabe que estou escrevendo pra você.)

Agora vou dormir, porque estou com sono, e meio tonto de escrever no escuro, na cama. Saúde (mental) pra mim, sol em Madrid, beijos pra todos que perdem seu tempo lendo isso. Mesmo que a maioria que chega até aqui é pra pedir informação sobre pontos turísticos da Espanha, da Itália, da Holanda. Pra pedir dicas de visto, pra mooonte de coisas que é mais fácil ver no site do consulado. Enfim, beijo pro resto.

pesadelo..

fevereiro 7, 2008

Enquanto me mudo de casa, e não instalam a internet, tenho passado minhas noites com meus novos compis de piso: Manuel e Audrey. No meio da loucura do fim de período, de tudo sujo e jogado em casa, de passar frio de noite… Tem sido engraçado e divertido essa troca de 3 pessoas totalmente diferentes dividindo chás enquanto estudam.. rs..

No trabalho, tem sido legal também. Já estamos quebrando o gelo. A primeira semana é foda.. Mas já tenho minha mesa grande, meu monitor grande, uma cadeira grande.. Já tenho meu cubículo.. hehehe Ai que medo de virar gente grande! hahaha

Fora isso, sonhei com toda minha família hoje. Muitos primos, tios, irmãos, pais. A formatura da minha irmã, em Alegre (??? Ela se formou em Vitória!), um café na varanda no fim da tarde, com todos. Olho para o céu: Que avião engraçado.. Era um carro em chamas, caindo do céu! (que sonho louco!) E se tornou um pesadelo com todos morrendo ensangüentados, carros explodindo meteóricos do céu.. Enfim. O pior é que demoro uns minutos pra voltar à realidade depois que acordo.. Ou horas..